Domingo, 1º de junho de 1969. Mais de 150 mil pessoas foram
ao Maracanã assistir ao jogo entre Flamengo e Botafogo pelo Campeonato Carioca.
O Mengão não vencia o rival há nove jogos, acumulando sete derrotas e dois
empates, e a crítica previa mais um triunfo do alvinegro de Gérson, Jairzinho e
Paulo César Caju.
Naquela época, os adversários chamavam pejorativamente os rubro-negros
de “urubus”, ironizando o grande número de torcedores que residia em favelas. Revoltados
com a situação, dois jovens flamengos do Leme fizeram o inusitado: entraram no
estádio com um urubu capturado no lixão, após driblarem a segurança com irreverência.
Pouco antes dos times subirem para o gramado, os jovens soltaram
o animal pelos ares, amarrado a uma bandeira rubro-negra. A torcida foi ao
delírio. Um momento histórico, sem precedentes no futebol brasileiro. “É urubu”,
“é urubu”, “é urubu”…, gritou a Nação, em coro.
O Flamengo venceu por 2x1, gols de Arilson e Doval, e
quebrou o incômodo tabu. O cartunista Henfil encarregou-se de levar o urubu
para as páginas do tradicional Jornal dos Sports, e o animal substituiu
rapidamente o Popeye na condição de mascote do clube.

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