O PRIMEIRO JOGADOR A FAZER 100 GOLS PELO FLAMENGO

O atacante Nonô foi o primeiro jogador a ultrapassar a marca dos cem gols pelo Flamengo. Ele chegou ao clube no final de 1920 após destacar-se no extinto Palmeiras da Guanabara, e  defendeu o Manto Sagrado em nove temporadas, marcando 123 gols e conquistando os estaduais de 21, 25 e 27.


Morreu prematuramente em 1931, aos 32 anos, vítima de tuberculose. O Jornal dos Sports de 25 de julho daquele ano noticiou o falecimento do artilheiro rubro-negro.

O FLAMENGO E A COPA: MENGÃO JÁ VENCEU A SELEÇÃO BRASILEIRA DUAS VEZES

Pode acreditar: a Seleção Brasileira é freguesa de carteirinha do Flamengo. Estatisticamente falando, o Mengão é um dos maiores carrascos do escrete nacional. A história registra duas partidas amistosas entre as equipes principais de ambos. O Flamengo venceu as duas.

O primeiro jogo aconteceu em 11 de maio de 1958, durante a preparação da seleção para a Copa do Mundo da Suécia. Pelé, Garrincha, Didi, Nilton Santos e outros craques que meses depois conduziriam o Brasil ao primeiro título mundial defenderam a seleção. O gol da vitória rubro-negra foi marcado pelo atacante Manuelzinho, escalado no lugar de Dida, que estava do outro lado!

Jornal Correio da Manhã de 13 de maio de 1958 destacou a vitória do Fla sobre a Seleção

Flamengo e Brasil voltaram a se enfrentar no Maracanã em 6 de outubro de 1976. O jogo foi realizado com o intuito de arrecadar fundos para a família de Geraldo, craque rubro-negro que morrera seis semanas antes após uma malsucedida cirurgia de retirada de amídalas. No primeiro tempo, a seleção jogou com a base tricampeã de 70. Pelé e Jairzinho formaram o ataque. Na etapa final, eles deram lugar a jogadores que seriam convocados para a Copa da Argentina, dois anos depois. O Flamengo venceu por 2x0, gols de Paulinho Carioca e Luís Paulo. 

Em 76, Rondinelli levou a melhor sobre o Rei Pelé

O Flamengo é o único clube do planeta que venceu a seleção pentacampeã duas vezes.

O FLAMENGO GANHOU NO CAMPO

O Flamengo foi o primeiro clube brasileiro a ganhar tudo o que se há de relevante para ganhar. E isso aconteceu no gramado, e não nos tribunais. Jamais precisamos
 que as entidades desportivas competentes mudassem a história, "legalizando" conquistas de verão para aumentar nossa lista de títulos. 


Mas também temos conquistas proporcionais àquelas que alguns rivais, por complexo de inferioridade, tentam superdimensionar. Para ilustrar, vou citar, em ordem cronológica, apenas um exemplo nacional, um continental e um internacional.

Em 1961, vencemos uma competição que reuniu River Plate e Boca Juniors, da Argentina; Nacional e Cerro, do Uruguai; Corinthians, São Paulo e Vasco, do Brasil. Os jogos foram disputados nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Montevideo e Buenos Aires. Todos os clubes se enfrentaram, e o Mengão sagrou-se campeão com cinco vitórias e duas derrotas. Se o Flamengo fosse um clube complexado, tentaria dar o status de Libertadores àquela conquista!

Em janeiro de 1970, ganhamos um torneio que reuniu a seleção da Romênia (que faria um jogo duríssimo com a seleção de Pelé, na Copa do México, meses depois), o Independiente (campeão argentino, que veio ao Brasil com a base que conquistaria quatro Libertadores seguidas, entre 72 e 75), e o Vasco. Vencemos os três adversários no Maracanã (sempre lotado), marcando doze gols. Hoje, alguns clubes que ganharam torneios similares tentam transformá-los em Mundial!        

Em 2001, conquistamos a Copa dos Campeões enfrentando os vencedores das principais competições estaduais e regionais do Brasil na época. Eliminamos o Bahia e o Cruzeiro, e batemos o São Paulo na final. Um campeonato similar a Taça Brasil dos anos 60, cujos campeões foram reconhecidos pela CBF como campeões brasileiros!

Mas como disse no início, não buscamos tais reconhecimentos porque não precisamos disso. Nós ganhamos em campo!

A PRIMEIRA EXCURSÃO A SANTA CATARINA

O Flamengo demorou a jogar em Santa Catarina. Quase quarenta anos se passaram entre o primeiro jogo oficial do clube, em 1912, e a primeira excursão ao estado. Antes de estrear no território barriga verde, o rubro-negro já havia visitado 16 estados brasileiros (incluindo os vizinhos Paraná e Rio Grande do Sul), três países da América do Sul, um país da América Central, e quatro países da Europa.

Em 1952, o Flamengo viajou pela primeira vez à Santa Catarina, a convite da federação local, para jogar duas partidas amistosas. A estreia do Mais Querido no estado aconteceu no dia 13 de janeiro. O clube derrotou o extinto Carlos Renaux, de Brusque, no estádio Augusto Bauer, por 3x0. Esquerdinha abriu o placar, aos 35 minutos, cobrando pênalti. Gringo e Hélio completaram a goleada.

Primeiro jogo do Fla em SC aconteceu no estádio Augusto Bauer, em Brusque


Troféu entregue ao Flamengo pela vitória contra o Carlos Renaux. 
Foto enviado por Bruno Lucena

Dois dias depois, o Flamengo venceu a equipe que representaria o estado no campeonato nacional de seleções, pelo placar de 4x1. O jogo aconteceu no estádio Adolfo Konder, em Florianópolis. Gringo (2), Hélio e Joel fizeram os gols rubro-negros. Teixeirinha, que anos depois defenderia o Botafogo, descontou para os anfitriões.

Até a presente data, o Flamengo fez 51 jogos em Santa Catarina, entre amistosos e partidas oficiais pelo Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Supercopa dos Campeões da Libertadores (atual Copa Sulamericana). Foram 26 vitórias, 13 empates e 12 derrotas.


DO DESESPERO PARA A GLÓRIA


O Flamengo é semelhante às sagas napoleônicas: as páginas vitoriosas começam a ser escritas com a tinta da mesma caneta que relatou momentos de fracasso. Desacreditados se transformam em heróis, e eternizam-se na história. 


Em 1944, por exemplo, as contusões em série dos atacantes na reta final do campeonato carioca fez alguém lembrar-se do aposentado Valido. Ele aceitou jogar a partida decisiva, contra o Vasco, e acabou testando a bola que nos deu o primeiro tri.

Num domingo de 1977, perdemos a decisão estadual para o Vasco, nos pênaltis. Mais tarde, longe do Maracanã, nossos jogadores reuniram-se para selar um pacto por títulos. Quatro anos depois, eles nos presenteariam com o mundo, e Tita, que perdera sua cobrança, seria fundamental na caminhada. 

Em 1992, ficamos sete jogos sem vencer na primeira fase do campeonato nacional, e a crônica especializada tirou o Flamengo da lista de postulantes ao título. Porém, o maestro Júnior chamou a responsabilidade, embalando a garotada rumo ao penta. 

Em 2001, os atritos entre medalhões e pratas da casa foram superados, e o Flamengo ganhou mais um tricampeonato de forma épica, diante do seu maior rival, com um gol de falta do até então questionado Petkovic nos minutos finais. 

Em 2005, os rivais já programavam carreata para festejar nosso rebaixamento, no entanto, há nove rodadas do fim, o desacredito Joel Santana assumiu o time na lanterna e deu um jeito no Flamengo. De uma hora para outra, os jogadores se transformaram, e ganhamos quase todos os jogos. O gol que garantiu a permanência foi marcado pelo massacrado Obina, nos acréscimos de uma partida contra o algoz Paraná, em Curitiba.

Em 2007, o mesmo Joel Santana assumiu o Flamengo na penúltima posição, e formou uma equipe à base de jogadores que ninguém acreditava serem capazes de salvar o time. Porém, uma arrancada incrível levou o time a Libertadores.

Em 2009, o “interino” Andrade convenceu o desajustado Adriano e o aposentado Petkovic a jogarem bola. De uma hora para outra, eles voltaram a brilhar, e o time jogou por eles e para eles. Decolamos do 14º lugar com destino ao hexa, sem escalas. Na partida final, Ronaldo Angelin, que quase perdera a perna meses antes, emergiu na área gremista para imortalizar seu nome.

E em 2013, saímos da lama para conquistar o tri da Copa do Brasil.

Atualmente, o Flamengo vive uma fase ruim, mas a história mostra que nesses tempos nebulosos algo sobrenatural sempre acontece. Daqui a pouco a tempestade vai passar, e estrelas aparecerão em nosso céu. E novas páginas serão escritas, com heroísmo. Assim é o Flamengo.           


GERAÇÃO JOGADA FORA

Entre 93 e 95, o Flamengo se desfez de uma das gerações mais promissoras do futebol brasileiro. Marcelinho, Paulo Nunes, Djalminha, Rogério, Fabinho, Júnior Baiano, Marquinho, Piá e Nélio foram negociados com clubes brasileiros, a preço de banana.

Infelizmente, o Flamengo caiu nas mãos de pessoas pouco preocupadas com seu futuro, mas muito interessadas em tirar proveito pessoal as custas de seu potencial. Tais pessoas interromperam o elo formador, preferindo “investir” em jogadores sem nenhuma identificação com o manto.

Em93, Djalminha, Marquinho e Marcelinho comemoram o gol de Gaúcho: 
Uma das poucas imagens dos três craques vestindo o manto juntos.

As gerações posteriores sofreriam às consequências da falta de referências mais experientes forjadas na base. Atletas como Sávio, Athirson, Rodrigo Mendes, Juan, Gilberto, Júlio César, Alessandro, Adriano, Ibson, Renato Augusto e Jônatas tiveram seus momentos de glória, mas não conseguiram formar um time capaz de presentear a nação com títulos em série. Hoje, entre os garotos da base, apenas Luís Antônio e Samir são considerados titulares. 

52 JOGOS SEM PERDER

A maior série invicta da história do futebol brasileiro pertence ao Flamengo. O time não perdeu nenhum dos 52 jogos que fez entre 22 de outubro de 1978 e 27 de maio de 1979. Foram 43 vitórias e 9 empatesNa época, os jogadores receberam uma medalha pelo feito. O lateral uruguaio Sérgio Ramirez postou a dele, e fazemos questão de compartilhar!

Vale ressaltar que o Botafogo também ficou 52 jogos em perder entre 77 e 78. Porém, o alvinegro venceu apenas 31 jogos, e empatou os outros 21. Por ironia do destino, justamente ele, Botafogo, quebrou a invencibilidade do Mengão, vencendo por 1x0, gol do catarinense Renato Sá.

O PRIMEIRO FLAMENGO X VASCO

Os livros de história contam que a primeira partida entre Flamengo x Vasco aconteceu no estadual de 1923 (ano que o Vasco chegou a Série A), e foi vencida pelos cruzmaltinos por 3x1.   

Porém, no ano anterior, os times se cruzaram na semifinal do Torneio Início do Campeonato Carioca, no estádio das Laranjeiras. O Mengão ganhou de 1x0, gol de Segreto, classificando-se para grande final. A vitória por 2x0 sobre o Andaraí garantiu o segundo título ao Fla.  

Formação do Flamengo em 1922

Torneio Início: Conforme o nome sugere, o Torneio Início acontecia antes dos campeonatos estaduais, e tinha como objetivo apresentar as equipes à torcida, além de arrecadar fundos para entidades filantrópicas. A competição era disputada em um único dia. Os jogos tinham vinte minutos de duração (dois tempos de dez minutos), e a final era mais longa (dois tempos de trinta minutos). No Rio de Janeiro, a primeira edição foi realizada em 1916, e a última em 1977.    

COMO O PRIMEIRO JOGO DO FLA REPERCUTIU NOS JORNAIS EM 1912

O Flamengo fez seu primeiro jogo oficial no dia 3 de maio de 1912. Em sua estreia no Campeonato Carioca, o time da camisa Papagaio Vintém derrotou o Esporte Clube Mangueira pelo placar de 15x2 (uma das maiores goleadas aplicadas pelo clube em a sua história), no campo do América. 


Os jornais da época repercutiram a partida de forma superficial, até porque o futebol ainda era um esporte pouco popular. Além disso, nenhum editor imaginava que nas décadas seguintes aquele clube conquistaria o Rio de Janeiro, o Brasil, a América e o Mundo.

Compartilho notas veiculadas pelos extintos “O Paiz” e “A Noite”, que localizei no acervo digitalizado de ambos.     




A matéria mais completa sobre o jogo foi veiculada pelo Jornal do Brasil. Porém, as edições de maio de 1912 ainda não estão disponíveis no acervo digital do JB.