O FLAMENGO E A COPA: O QUE O MENGÃO FEZ DURANTE A COPA DE 50?

Apesar de estarmos respirando Copa do Mundo, não deixamos de pensar no Mengão. O time está treinando para dar a volta por cima no Campeonato Brasileiro.

Na primeira vez que o Brasil sediou a Copa, em 1950, o clube excursionou pela região Nordeste, jogando partidas amistosas em três estados (Bahia, Sergipe e Alagoas). A delegação viajou desfalcada por Juvenal e Bigode, que serviram à seleção.

Em Salvador (BA), o Flamengo venceu o Galícia por 2x1, e empatou com o Bahia em 3x3. Em Ilhéus (BA), vitória por 3x0 sobre o Bahia, e conquista da taça que levava o nome da cidade. Em Aracajú (SE), vitória de 2x0 sobre a Seleção de Sergipe. E em Maceió (AL), empate em 3x3 com a Seleção de Alagoas.

Foto tirada no jogo contra a Seleção de Alagoas, no dia 7 de julho de 1950
Em pé: Gentil Cardoso, Cláudio, Newton, Osvaldo, Job, Biguá, Bria, Dequinha, Antoninho, Valter e Gago, um diretor do Flamengo e Waldomiro Brêda. Agachados: Aristocílio Rocha, Aloisio, Arlindo, Durval, Lero, Esquerdinha, Eliezer e Quiba

O primeiro jogo da excursão aconteceu em 26 de junho (dois dias depois da abertura da Copa), e o último jogo foi em 7 de julho (nove dias antes da fatídica derrota para o Uruguai). O atacante Lero se destacou, marcando cinco dos treze gols rubro-negros.           

O FLAMENGO E A COPA: ALEMANHA SE REDIME DA HISTÓRIA HOMENAGEANDO O MENGÃO

“O mundo dá voltas”, diz o adágio popular. Durante a Primeira Guerra Mundial, o Flamengo foi obrigado a aposentar a camisa cobra-coral (com a qual conquistou seus primeiros títulos estaduais, em 1914 e 1915), pois o manto lembrava a bandeira da Alemanha – maior inimiga do mundo na época.
As faixas pretas e vermelhas eram divididas por listras brancas mais estreitas
Agora, a pacífica Alemanha veio jogar a Copa do Mundo com uma camisa idêntica a que o Flamengo passou a usar depois que a abandonou a cobra-coral, e com a qual se tornou conhecido em todo o planeta. E a federação alemã deixa claro que o objetivo é homenagear o clube de maior torcida do Brasil e do mundo... 


...Mundo que dá voltas!

O FLAMENGO E A COPA: TÍTULOS DO MENGÃO EM ANOS DE COPA DO MUNDO

Relacionamos os títulos do Flamengo em anos de Copa do Mundo, destacando a partida que garantiu cada conquista. O clube só passou em branco em 1930, 1938, 1998, 2002 e 2010. As Taças Guanabara e Taças Rio não constam por serem anexas ao Campeonato Carioca. A exceção é a Taça Guanabara de 1970, que ainda era uma competição independente do estadual.

Em 1982 (Copa da Espanha), o Flamengo conquistou o Campeonato Brasileiro pela segunda vez.
Em pé: Leandro, Raul, Figueiredo, Marinho, Andrade e Júnior. Agachados: Lico, Adílio, Nunes, Zico e Tita


1934
Torneio Extra do Rio de Janeiro - Flamengo 2x1 Fluminense

1950
Taça Ilhéus - Bahia 0x3 Flamengo

1954
Campeonato Carioca - Flamengo 2x1 Vasco
Torneio Internacional do Rio de Janeiro - Flamengo 5x2 Fluminense

1958
Torneio Internacional de Israel - Flamengo 2x0 Fostir (GRE)

1962
Torneio Triangular da Tunísia - Flamengo 3x0 Stade Túnis (TUN)

1966
Torneio Internacional do Equador - Flamengo 2x0 Corinthians

1970
Torneio Internacional do Rio de Janeiro - Flamengo 2x0 Vasco
Taça Guanabara - Flamengo 1x1 Fluminense

1974
Campeonato Carioca - Flamengo 0x0 Vasco

1978
Campeonato Carioca - Flamengo 1x0 Vasco
Torneio Palma de Mallorca (Espanha) - Flamengo 2x1 Real Madri (ESP)

1982
Campeonato Brasileiro - Grêmio 0x1 Flamengo

1986
Campeonato Carioca - Flamengo 2x0 Vasco
Troféu Naranja (Espanha) - Flamengo 3x0 Valência (ESP)

1990
Copa do Brasil - Goiás 0x0 Flamengo
Copa Sharp (Japão) - Flamengo 7x0 Real Sociedad (ESP)
Copa Marlboro (Estados Unidos) - Flamengo 1x0 Seleção dos Estados Unidos
Torneio de Varginha - Flamengo 1x0 Cruzeiro

1994
Torneio Internacional da Malásia - Flamengo 3x1 Bayer de Munique (ALE)
Taça Pepsi Cola (Japão) - Flamengo 2x1 Kashima Antlers (JAP)

2006
Copa do Brasil - Flamengo 1x0 Vasco

2014
Campeonato Carioca - Flamengo 1x1 Vasco

O FLAMENGO E A COPA: TRICAMPEÕES DE 70 QUE JOGARAM PELO FLAMENGO

O escrete canarinho que conquistou o tricampeonato mundial, em 1970, é considerado o melhor time de futebol de história. E como não poderia deixar de ser, alguns craques daquela seleção maravilhosa defenderam o Flamengo, antes ou depois da Copa.

Dos 22 jogadores que embarcaram para o México, oito fizeram pelo menos uma partida pelo clube: os titulares Carlos Alberto Torres, Brito, Gérson e Pelé, os reservas Paulo César Caju, Roberto Miranda e Dario, além do atacante Rogério, que foi cortado devido a uma contusão, mas permaneceu na delegação, como olheiro. 

Atletas que vestiram a camisa do Flamengo circulados em vermelho.
Em Pé: Rogério e Brito. Agachados: Carlos Alberto Torres e Paulo César Caju. Sentados: Dario, Gérson, Roberto Miranda e Pelé

Eles jogaram pelo Flamengo em momentos distintos da vida. 

Enquanto o meia Gérson começou a carreira no clube, em 1959, o lateral Carlos Alberto Torres se despediu do futebol brasileiro vestindo rubro-negro, em 1977. Depois do Flamengo, o capitão do tri só jogou pelo Cosmos, dos Estados Unidos. 

O zagueiro Brito foi convocado como atleta do Flamengo, mas depois da Copa do Mundo rumou para o Cruzeiro. O ponta Rogério foi contratado logo depois da Copa do Mundo e formou uma dupla de sucesso com Doval. Já o atacante Roberto Miranda chegou ao clube em 1971, mas jogou só onze vezes.

O armador Paulo César Caju foi contratado em 1972, no auge da carreira, e conduziu o Mengão na caminhada do título estadual daquele ano. O centroavante Dario, o Dadá Maravilha, jogou pelo clube entre 1973 e 1974, e marcou vários gols aproveitando milimétricos passes de um menino chamado Zico.

E Pelé jogou 45 minutos pelo Flamengo em 6 de abril de 1979, num amistoso contra o Atlético Mineiro, no Maracanã, cuja renda foi revertida às vítimas das enchentes que assolaram Minas Gerais. O Rei não marcou nenhum gol, mas vestiu o Manto Sagrado número dez e escreveu seu nome na história do clube.            

Vale lembrar que o técnico Zagallo jogou pelo Flamengo nos anos 50, e posteriormente treinou o time.

O FLAMENGO E A COPA: UM CAMPEÃO PELA ITÁLIA NO MENGÃO

O Flamengo iniciou o ano de 1939 disposto a acabar com o jejum de títulos estaduais que perdurava desde 1927. O clube tinha, enfim, o próprio estádio (a Gávea foi concluída no ano anterior), e conseguiu manter os craques Domingos da Guia e Leônidas da Silva, titulares da seleção brasileira na Copa do Mundo da França, disputada no ano anterior.

Mas o presidente Bastos Padilha, marqueteiro nato, queria um jogador de renome internacional para movimentar a opinião pública da época. Contratou Raimundo Bibiani Orsi, atacante argentino naturalizado italiano. O craque disputara a Copa do Mundo de 1934 pela (anfitriã) Itália, sendo decisivo na conquista do título ao marcar três gols no torneio. O mais importante deles na vitória por 2x1 sobre a Tchecoslováquia (atual República Tcheca), na grande final. 

Orsi no centro, entre Valido e Neón

Orsi chegou ao Flamengo aos 37 anos, e entrou em campo apenas dez vezes, sendo protagonista na vitória por 6x3 sobre o Santos (a primeira na Vila Belmiro), quando marcou seus dois únicos gols com a camisa rubro-negra. Porém, apesar de ter jogado pouco, o impacto de sua contratação elevou a autoestima do clube e da torcida. No final de 1939, o Mengão quebrou o incômodo tabu, e conquistou seu primeiro título estadual na era profissional.        

TÍTULO DA HUMILDADE SOBRE A SOBERBA

O título estadual de 1999 ensinou o significado da mística da camisa a muitos rubro-negros. No começo daquele ano, até os torcedores mais fanáticos sabiam que São Januário seria o destino natural do troféu. O Vasco manteve a base campeã da Taça Libertadores do ano anterior, e reforçou-se bem. O Flamengo, por sua vez, tinha um elenco formado por jogadores medianos, desacreditados e inexperientes – Romário era a exceção. Os outros times grandes também eram considerados presas fáceis: o Botafogo acumulava fracassos, e o Fluminense vivia seus piores dias, mergulhado nas divisões inferiores do Campeonato Brasileiro.  


PRIMEIRO TURNO
As primeiras rodadas da Taça Guanabara confirmaram a tese: Fluminense e Botafogo tropeçaram em times pequenos, dando adeus à briga pelo título. O Vasco goleava todo mundo. E o Flamengo só ganhava no sufoco. Aos trancos e barrancos, o time do técnico Carlinhos conseguiu chegar à última rodada com o mesmo número de pontos que os cruzmaltinos. O problema é que o Vasco tinha um saldo de gols muito superior, e entrou em campo jogando pelo empate. Mas nossos guerreiros ignoraram o favoritismo do adversário, e partiram para cima, como há muito tempo não se via. Aos vinte minutos de jogo, o Mengão vencia por inacreditáveis dois a zero, gols de Athirson e Romário. Odvan descontou ainda no primeiro tempo, mas os rubro-negros não se abateram, e o placar se manteve até o fim. Apesar de ser apenas um turno de estadual, aquele título lavou a alma da Nação, que não aguentava mais ver o time ser humilhado pelo maior rival.

SEGUNDO TURNO
Ganhar a Taça Rio se tornou questão de honra para o dirigente vascaíno Eurico Miranda, que antes do campeonato havia dito que o título estadual já tinha dono, e os demais clubes brigariam pelo vice. O clube gastou o que não tinha para repatriar Edmundo, e o investimento “valeu a pena”. O Vasco entrou em campo no último jogo da Taça Rio precisando novamente de um empate para ficar com o título e forçar a decisão contra o campeão da Taça Guanabara. Se o Flamengo vencesse, conquistaria o Carioca antecipadamente. Deu Vasco: 2x0, dois gols de Edmundo.


A FINALÍSSIMA
Se o duelo da Taça Rio terminasse empatado, o Flamengo teria a vantagem de dois resultados iguais na grande decisão. Mas a vitória do Vasco reascendeu o conceito da superioridade cruzmaltina, e trouxe à tona as limitações técnicas do Flamengo. Para piorar, Romário foi vetado da primeira partida minutos antes do time subir ao gramado devido a uma contusão muscular. O jovem Reinaldo, que não havia marcado sequer um gol pelo time profissional, foi escalado no lugar do artilheiro do campeonato. O primeiro tempo terminou um a zero para o Vasco, gol de Edmundo. Na etapa final, Fábio Baiano, improvisado no meio de campo, empatou, dando números finais a partida, e sobrevida as esperanças rubro-negras.

No dia 19 de junho, os times decidiram o campeonato. Só a Nação Rubro-Negra acreditava no título, tamanha a superioridade do rival. Romário foi escalado, mas voltou a sentir a contusão e foi substituído logo no início, por Caio. Todos esperavam um abatimento natural do Flamengo devido à ausência do principal jogador, mas aconteceu exatamente o contrário.

De repente, os limitados Pimentel, Fabão e Jorginho começaram a dividir todas as bolas, como se estivessem batalhando pelo último prato de comida. Os pratas da casa Athirson, Luís Alberto, Fábio Baiano e Rodrigo Mendes, por sua vez, passaram a jogar com a mesma garra dos tempos de infância - quando tinham que lutar com milhares de garotos por um espaço no time - tamanha a disposição. O desacreditado Leandro Ávila, que sofria há anos com contusões e praticamente estreava pelo Flamengo naquela final, voltou a ser um grande jogador e comandou a transição entre a defesa e o ataque. O questionado goleiro Clemer foi eficiente como nunca. E Beto e Caio, considerados eternas promessas até então, jogaram o futebol que os levou a seleção olímpica em outros tempos.

O primeiro tempo terminou zero a zero. Antes da etapa final, os guerreiros rubro-negros se abraçaram no círculo central, formando uma corrente de união que incendiou a torcida. Dali em diante, o grito de “Meeengooo” só foi interrompido quando a falta cobrada por Rodrigo Mendes, a quinze minutos do fim, bateu suavemente na rede protegida pelo arqueiro Carlos Germano. Naquele momento, as 60 mil almas rubro-negros presentes no Maracanã soltaram o grito entalado na garganta: Gol. Gol do título. Gol da grandeza. Gol que ensinou a minha geração a acreditar que o Flamengo pode. Gol que abriu caminho para mais um tricampeonato, concretizado dois anos depois, por Petkovic. Naquela noite, um programa de TV iniciou com a imagem da falta batida por Rodrigo Mendes ao som de Jorge Bem Jor: “É falta, na entrada da área. Advinha quem vai bate? É o camisa dez da Gávea!”


A edição do jornal O Glodo do dia seguinte sintetizou o título: “O Flamengo pode não ter uma qualidade técnica superior ao Vasco, mas teve durante todos esses meses algo que o Vasco não teve em dia algum: o Flamengo teve alma de campeão” (Fernando Calazans).

O FLAMENGO E A COPA: DA GÁVEA PARA A SELEÇÃO DA ESPANHA

Ao longo da história, o Flamengo formou vários craques para a seleção brasileira e, inusitadamente, presenteou a Espanha com um grande centroavante. José Armando Ufarte Ventoso nasceu no país das touradas em 1941, mas veio para o Brasil com a família aos 13 anos de idade, fixando residência no Rio de Janeiro. 

Ingressou nas categorias de base do Flamengo em meados da década de 50, após passar em uma peneira. Não demorou para que os companheiros o batizassem pelo apelido de "Espanhol". 

Estreou no time profissional em 1961, aos 20 anos, mas não conseguiu espaço entre os titulares devido à abundância de craques ofensivos – Gérson, Dida, Henrique, Babá, Joel… Foi emprestado ao Corinthians para ganhar experiência, e retornou ao Fla na metade de 1962. Conquistou a titularidade, e destacou-se na conquista do Campeonato Carioca do ano seguinte, assumindo a camisa dez após a negociação de Dida com a Portuguesa de Desportos.


Espanhol foi vendido para o Atlético de Madrid em 1964, e defendeu o clube por dez anos, consagrando-se como um de seus maiores craques. Rebatizado como Ufarte, o craque conquistou três títulos espanhóis, e entrou para a história ao marcar o gol que classificou a Fúria para a Copa do Mundo da Inglaterra, em 1966.


A Espanha caiu no grupo da morte, com Alemanha, Argentina e Suíça, e acabou eliminada na primeira fase, num mundial que até o Brasil de Pelé e Garrincha fracassou. Mas a cria da base rubro-negra sentiu o gostinho de disputar a maior competição esportiva do planeta, na terra da rainha.

O FLAMENGO E A COPA: RUBRO-NEGROS QUE DEFENDERAM O BRASIL EM MUNDIAIS

O Flamengo só não teve jogadores convocados para a Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 1934, 1962, 2006 e 2014. Nas outras 16 edições do torneio, foi representado por pelo menos um atleta, sendo o terceiro clube que mais cedeu jogadores ao escrete canarinho (33, no total), ficando atrás apenas de Botafogo e Santos.

O recorde de convocações estabeleceu-se em 1958, quando quatro rubro-negros foram à Suécia ajudar o Brasil a conquistar seu primeiro título.

Zico é o único rubro-negro convocado para três Copas. Ele defendeu a seleção em 1978, 1982 e 1986.

Zico e Júnior comemoram gol na Espanha, em 1982

Confira a lista completa de rubros-negros na Seleção Brasileira:

1930 (Uruguai): 
Benevenuto e Moderato

1938 (França): 
Walter, Domingos da Guia e Leônidas da Silva

1950 (Brasil): 
Juvenal e Bigode

1954 (Suíça): 
Dequinha, Rubens e Índio

1958 (Suécia): 
Moacir, Zagallo, Joel e Dida

1966 (Inglaterra): 
Paulo Henrique e Silva

1970 (México): 
Brito

1974 (Alemanha): 
Renato e Paulo César Caju

1978 (Argentina): 
Toninho e Zico

1982 (Espanha): 
Leandro, Júnior e Zico

1986 (México): 
Zico e Sócrates

1990 (Itália): 
Zé Carlos e Renato Gaúcho

1994 (Estados Unidos): 
Gilmar

1998 (França): 
Zé Roberto e Júnior Baiano

2002 (Japão e Coréia do Sul): 
Juninho Paulista

2010 (África do Sul): 
Kléberson

O PRIMEIRO JOGO DO FLAMENGO EM CADA ESTADO BRASILEIRO


1-São Paulo
25.04.1915, Flamengo 0x1 São Bento (SP), em São Paulo

2-Pará
27.12.1915, Flamengo 5x1 Combinado de Belém (PA), em Belém

3-Minas Gerais
29.07.1917, Flamengo 2x1 Sport Juiz de Fora (MG), em Juiz de Fora

4-Pernambuco
16.01.1925, Flamengo 3x1 Torre (PE), em Recife

5-Espírito Santo
04.07.1926, Flamengo 3x0 Comercial (ES), em Muqui

6-Paraná
18.12.1927, Flamengo 2x2 Seleção do Paraná (PR), em Curitiba

7-Bahia
06.11.1932, Flamengo 7x2 Vitória (BA), em Salvador

8-Rio Grande do Sul
09.09.1937, Flamengo 1x1 Grêmio (RS), em Porto Alegre

9-Rio Grande do Norte
15.07.1947, Flamengo 6x2 América (RN), em Natal

10-Ceará
04.04.1948, Flamengo 3x0 Ceará (CE), em Fortaleza

11-Maranhão
15.04.1948, Flamengo 3x1 Combinado Maranhense (MA), em São Luís

12-Goiás
28.08.1949, Flamengo 4x1 Araguaia (GO), em Goiânia

13-Amapá
29.03.1950, Flamengo 9x1 Combinado de Macapá (AP), em Macapá

14-Amazonas
31.03.1950, Flamengo 6x1 Fast Clube (AM), em Manaus

15-Sergipe
02.07.1950, Flamengo 2x0 Seleção de Sergipe (SE), em Aracajú

16-Alagoas
07.07.1950, Flamengo 3x3 Seleção de Alagoas (AL), em Maceió

17-Santa Catarina
13.01.1952, Flamengo 3x0 Carlos Renaux (SC), em Brusque

18-Paraíba
11.05.1952, Flamengo 2x3 Botafogo (PB), em João Pessoa

19-Piauí
07.06.1959, Flamengo 3x1 River (PI), em Teresina

20-Mato Grosso
18.11.1965, Flamengo 4x1 Corumbaense (MT), em Corumbá

21-Mato Grosso do Sul
23.11.1965, Flamengo 2x3 Operário (MS), em Campo Grande

22-Distrito Federal
31.03.1966, Flamengo 1x2 Vasco (RJ), em Brasília

23-Rondônia
02.07.1966, Flamengo 5x1 Seleção de Rondônia (RO), em Porto Velho

24-Acre
03.07.1966, Flamengo 2x1 Seleção do Acre (AC), em Rio Branco

25-Roraima
14.12.1978, Flamengo 4x0 Seleção de Roraima (RR), em Boa Vista

26-Tocantins
24.05.1990, Flamengo 6x0 Tocantinópolis (TO), em Tocantinópolis

TROFÉU ARARIBOIA: VICE DE NOVO

A lista de títulos conquistados pelo Flamengo sobre o Vasco inclui Copa do Brasil, Campeonato Carioca, Taça Guanabara, Copa Rio e uma infinidade de troféus disputados em jogo único. Um deles é o “Arariboia”, entregue ao Mengo após a vitória por 2x1 sobre o rival em 10 de junho de 1973. A partida realizada no estádio de Caio Martins incrementou as comemorações do quarto centenário de Niterói. 

Jornal do Brasil: os gols do Flamengo foram marcados por Doval e Sérgio

História: O índio Arariboia foi chefe de uma das tribos que ajudou os portugueses a conquistas a Baía de Guanabara no século XVI. Como recompensa, a tribo ganhou um pedaço de terra para instalar-se. Anos depois, a região se transformaria da cidade de Niterói, da qual Arariboia é considerado fundador, tendo uma estátua em frente à Praça das Barcas. 

MEU PRIMEIRO JOGO DO FLAMENGO NO ESTÁDIO

Em 9 de junho de 1994, eu e meu irmão mais velho, Fernando, assistimos ao Flamengo em um estádio pela primeira vez em nossas vidas. Tínhamos 8 e 12 anos, respectivamente, e nosso pai, Renato, nos levou ao amistoso contra o Marcílio Dias, no estádio Doutor Hercílio Luz, em Itajaí, Santa Catarina.

Vista panorâmica de Itajaí, com destaque para o estádio Dr. Hercílio Luz

Não tenho recordações fotográficas do jogo, que terminou empatado em 1x1. Mas minha memória gravou o gol marcado pelo atacante Wallace, a quem conheci no pessoalmente em 2013, numa festa em Niterói.


Não perdi a oportunidade de comentar sobre o meu primeiro jogo ao filho do Silva Batuta, e tiramos uma foto. Poucas vezes comemorei um gol com tanta empolgação como naquele 9 de junho de 1994!    

Passados 20 anos, acumulo mais de 40 jogos do Mengão em estádios.

TALENTO DESPERDIÇADO

Gérson, o canhota de ouro, poderia ter sido um dos maiores ídolos da história do Flamengo. Cria da base, o craque estreou no clube em 1959, e foi titular absoluto até o início de 63. Nesse período, marcou 83 gols e ajudou o clube a conquistar o Torneio Rio-São Paulo e uma competição internacional que reuniu os principais clubes de Brasil, Argentina e Uruguai.  

Mas na véspera de um clássico contra o Botafogo pelo Campeonato Carioca, o técnico Flávio Costa anunciou que escalaria o habilidoso armador na lateral-esquerda, para marcar ninguém menos que Garrincha. O craque se recusou a obedecer à determinação do comandante, e foi barrado da partida. A vitória por 3x1, com direito a gol do substituto Paulo Alves, respaldou os argumentos de Flávio Costa perante a diretoria, e Gérson foi dispensado do Flamengo. 


Por ironia do destino, Gérson foi para o Botafogo, onde se consagrou como um dos maiores craques brasileiros de todos os tempos. Flávio Costa, por sua vez, conquistou o título carioca de 63, e depois não ganhou mais nada expressivo.

Certa vez, Gérson disse a amigos que trocaria o gol marcado na final da Copa do Mundo de 70, contra a Itália, pelo gol do título carioca de 62. O Flamengo perdeu a decisão daquele ano para o Botafogo, por 3x0.   

UM TÍTULO QUE PODERIA SER CHAMADO DE LIBERTADORES

A Confederação Sulamericana de Futebol reconhece o Vasco como campeão continental de 1948. Naquele ano, representantes de Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia, Peru e Equador disputaram um torneio de verão por pontos corridos em Santiago, e os cruzmaltinos ficaram com o título. Décadas mais tarde, o astuto Eurico Miranda mexeria os pauzinhos junto à entidade para elevar o valor da conquista.

Ressalta-se que, em 1959, o Flamengo conquistou uma competição com os mesmos moldes, mas nunca pleiteou reconhecimento. 

No início de 1959, o Flamengo disputou o Torneio Hexagonal de Lima, no Peru, com os anfitriões Alianza e Universitário, o uruguaio Peñarol, o chileno Colo-Colo, e o argentino River Plate. Na estreia, derrota para o Peñarol por 2x0. Daí pra frente, o Mengão emplacou quatro vitórias que garantiram o título: 2x0 no Universitário; 4x2 no Colo-Colo; 4x1 no River Plate; e 4x3 no Alianza.

Formação do Fla em 1959

O último jogo é um parágrafo a parte. Os peruanos venciam por 3x0 até os 9 minutos do segundo tempo. Foi quando Manoelzinho resolveu entrar em ação. Aos 10 minutos, ele marcou o primeiro gol do Flamengo. Aos 15, o segundo. E aos 16, o terceiro. O empate já garantia o título ao Mengão. Porém, no minuto seguinte, Henrique fez o gol da vitória. Foram quatro gols em sete minutos. Um triunfo épico, tipicamente rubro-negro.   

URUBU: PRESENTE HÁ 45 ANOS NA VIDA DO MENGÃO

Domingo, 1º de junho de 1969. Mais de 150 mil pessoas foram ao Maracanã assistir ao jogo entre Flamengo e Botafogo pelo Campeonato Carioca. O Mengão não vencia o rival há nove jogos, acumulando sete derrotas e dois empates, e a crítica previa mais um triunfo do alvinegro de Gérson, Jairzinho e Paulo César Caju.

Naquela época, os adversários chamavam pejorativamente os rubro-negros de “urubus”, ironizando o grande número de torcedores que residia em favelas. Revoltados com a situação, dois jovens flamengos do Leme fizeram o inusitado: entraram no estádio com um urubu capturado no lixão, após driblarem a segurança com irreverência.

Pouco antes dos times subirem para o gramado, os jovens soltaram o animal pelos ares, amarrado a uma bandeira rubro-negra. A torcida foi ao delírio. Um momento histórico, sem precedentes no futebol brasileiro. “É urubu”, “é urubu”, “é urubu”…, gritou a Nação, em coro. 


O Flamengo venceu por 2x1, gols de Arilson e Doval, e quebrou o incômodo tabu. O cartunista Henfil encarregou-se de levar o urubu para as páginas do tradicional Jornal dos Sports, e o animal substituiu rapidamente o Popeye na condição de mascote do clube.