Gérson, o canhota de ouro, poderia ter sido um dos maiores ídolos
da história do Flamengo. Cria da base, o craque estreou no clube em 1959, e foi
titular absoluto até o início de 63. Nesse período, marcou 83 gols e ajudou o
clube a conquistar o Torneio Rio-São Paulo e uma competição internacional que
reuniu os principais clubes de Brasil, Argentina e Uruguai.
Mas na véspera de um clássico contra o Botafogo pelo Campeonato Carioca, o técnico
Flávio Costa anunciou que escalaria o habilidoso armador na lateral-esquerda,
para marcar ninguém menos que Garrincha. O craque se recusou a obedecer à
determinação do comandante, e foi barrado da partida. A vitória por 3x1, com direito a gol do substituto Paulo Alves, respaldou
os argumentos de Flávio Costa perante a diretoria, e Gérson foi dispensado do
Flamengo.
Por ironia do destino, Gérson foi para o Botafogo, onde se consagrou como um dos maiores craques brasileiros de todos os tempos. Flávio
Costa, por sua vez, conquistou o título carioca de 63, e depois não ganhou mais nada expressivo.
Certa vez, Gérson disse a amigos que trocaria o gol marcado
na final da Copa do Mundo de 70, contra a Itália, pelo gol do título carioca de
62. O Flamengo perdeu a decisão daquele ano para o Botafogo, por 3x0.

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