Novembro de 1981. Depois de atropelar o Deportivo Cali, da
Colômbia, e o Jorge Wilsterman, da Bolívia, o Flamengo chega à decisão da Taça
Libertadores. Antes do início da disputa contra o Cobreloa, os jogadores, a
comissão técnica e o presidente Dunshee de Abranches chegaram a um acordo sobre
a premiação. Se o time vencesse a competição sulamericana mas perdesse o
mundial, marcado para 13 de dezembro, a diretoria não precisaria pagar nada. Para
ganhar o dinheiro extra, além de derrotar o violento time do general Pinochet,
os atletas rubro negros precisariam e bater o campeão europeu Liverpool, três
semanas depois, no Japão.
Como todos sabem, o Flamengo venceu o Cobreloa na melhor de
três (2x1, 0x1, 2x0), e arrasou os conterrâneos de John Lenon por 3x0. A
diretoria repartiu a cota do jogo de Tóquio entre o grupo. Todos ganharam 4,6
mil dólares. Ninguém levou um centavo a mais que os demais. Zico e Nunes
faturaram veículos top de linha da Toyota porque foram, respectivamente, o
craque e o artilheiro do jogo. Mas eles fizeram questão de dividir o prêmio com
os colegas, e para ficar com os carros, ambos pagaram ao grupo o valor de
mercado.
Essas histórias mostram que o legado do Flamengo do início
dos anos 80 vai muito além do futebol. Existia amizade, companheirismo… É por
isso que Raul, Leandro, Marinho, Mozer, Júnior, Andrade, Adílio, Zico, Tita,
Nunes e Lico são lembrados até hoje. E sempre serão.


