DO DESESPERO PARA A GLÓRIA


O Flamengo é semelhante às sagas napoleônicas: as páginas vitoriosas começam a ser escritas com a tinta da mesma caneta que relatou momentos de fracasso. Desacreditados se transformam em heróis, e eternizam-se na história. 


Em 1944, por exemplo, as contusões em série dos atacantes na reta final do campeonato carioca fez alguém lembrar-se do aposentado Valido. Ele aceitou jogar a partida decisiva, contra o Vasco, e acabou testando a bola que nos deu o primeiro tri.

Num domingo de 1977, perdemos a decisão estadual para o Vasco, nos pênaltis. Mais tarde, longe do Maracanã, nossos jogadores reuniram-se para selar um pacto por títulos. Quatro anos depois, eles nos presenteariam com o mundo, e Tita, que perdera sua cobrança, seria fundamental na caminhada. 

Em 1992, ficamos sete jogos sem vencer na primeira fase do campeonato nacional, e a crônica especializada tirou o Flamengo da lista de postulantes ao título. Porém, o maestro Júnior chamou a responsabilidade, embalando a garotada rumo ao penta. 

Em 2001, os atritos entre medalhões e pratas da casa foram superados, e o Flamengo ganhou mais um tricampeonato de forma épica, diante do seu maior rival, com um gol de falta do até então questionado Petkovic nos minutos finais. 

Em 2005, os rivais já programavam carreata para festejar nosso rebaixamento, no entanto, há nove rodadas do fim, o desacredito Joel Santana assumiu o time na lanterna e deu um jeito no Flamengo. De uma hora para outra, os jogadores se transformaram, e ganhamos quase todos os jogos. O gol que garantiu a permanência foi marcado pelo massacrado Obina, nos acréscimos de uma partida contra o algoz Paraná, em Curitiba.

Em 2007, o mesmo Joel Santana assumiu o Flamengo na penúltima posição, e formou uma equipe à base de jogadores que ninguém acreditava serem capazes de salvar o time. Porém, uma arrancada incrível levou o time a Libertadores.

Em 2009, o “interino” Andrade convenceu o desajustado Adriano e o aposentado Petkovic a jogarem bola. De uma hora para outra, eles voltaram a brilhar, e o time jogou por eles e para eles. Decolamos do 14º lugar com destino ao hexa, sem escalas. Na partida final, Ronaldo Angelin, que quase perdera a perna meses antes, emergiu na área gremista para imortalizar seu nome.

E em 2013, saímos da lama para conquistar o tri da Copa do Brasil.

Atualmente, o Flamengo vive uma fase ruim, mas a história mostra que nesses tempos nebulosos algo sobrenatural sempre acontece. Daqui a pouco a tempestade vai passar, e estrelas aparecerão em nosso céu. E novas páginas serão escritas, com heroísmo. Assim é o Flamengo.           


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