No começo de 1927, a Liga Carioca decidiu punir o Flamengo porque o clube emprestou seu campo ao Paulistano para alguns amistosos - o Paulistano fora proibido de jogar em seu estado por
combater o amadorismo no futebol. A exclusão
do campeonato carioca daquele ano seria o preço pago pelo Fla. Para não ficarem
parados, vários craques da base campeã de 1925 migraram para outros clubes.
Porém, um clamor popular reforçado por torcedores e
dirigentes de clubes adversários levou a Liga a recuar e incluir o mais amado
da cidade na competição. O fato é que o time se desfizera, e não havia
tempo para formar uma equipe competitiva.
O desfecho da história é narrado pelo rubro-negro Ruy Castro,
no livro O Vermelho e o Negro:
“Então aconteceu esta coisa linda: jogadores aposentados ou
semi-aposentados apresentaram-se na rua Paissandu para jogar. Reservas e
juvenis foram promovidos. Com eles, armou-se às pressas um time, e o Flamengo,
rodada após rodada, foi superando não só os adversários, mas sua própria falta
de pernas. Quando os jogadores mal se aguentavam em pé, o coração assinava a
súmula e entrava em campo”.
O Flamengo venceu 13 dos seus 18 jogos, e sagrou-se campeão.
O título consolidou-se após a vitória por 2x1 sobre o América na última rodada.
Nascia a mística da camisa rubro-negra. Anos mais tarde, o dramaturgo tricolor
Nelson Rodrigues declararia:
“Há de chegar talvez o
dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada.
Bastará à camisa, aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a
camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável”.

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